Palavra do bispo Dom Manoel João Francisco

Postado dia 07/02/2019 às 16:53:31

Dia Mundial do Doente

Todos os anos, no dia 11 de fevereiro, memória de Nossa Senhora de Lourdes, por determinação do Papa, São João Paulo II, os católicos comemoram o DIA MUNDIAL DO DOENTE e o celebram de forma mais solene num determinado lugar do planeta. Neste ano vai ser em Calcutá, na Índia. 

Ao celebrar o Dia Mundial do Doente a Igreja deseja chamar a atenção dos fiéis para o exemplo de Jesus que tornou visível o amor de Deus pelos pobres e doentes.
É só ler os Evangelhos atentamente para ver que Jesus tinha uma predileção toda especial para com os leprosos, os deficientes, os doentes mentais, os cegos, os surdos, os mudos, os coxos, homens e mulheres impossibilitados de abrir seu caminho na vida. Quando entrava numa aldeia ou cidade, Jesus estava sempre cercado de doentes.
Confirma que é o Messias prometido curando os doentes: “Ide contar a João o que acabais de ver e de ouvir: os cegos recuperam a vista, os coxos andam, os leprosos ficam sãos, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e a Boa Nova é anunciada aos pobres” (Lc 5,31). No Evangelho lemos também que: “Ao pôr do sol, todos os que tinham pessoas sofrendo de alguma doença as traziam até ele. E Jesus, impondo as mãos sobre cada uma, as curava” (Lc 4,40).

Devemos lembrar que, no tempo de Jesus, o doente hebreu vivia sua enfermidade como uma experiência de impotência e desamparo e, o que é pior, de abandono e rejeição de Deus. De certa forma, toda enfermidade era um castigo ou maldição de Deus. O doente era uma pessoa “ferida pelo Senhor”.
Em sua atividade profética, Jesus rompe com a marginalização e condenação moral a que eram submetidos os enfermos, vistos como abandonados por Deus e esquecidos pelos homens. Eles constituíam o setor mais desamparado da sociedade judaica. Jesus colocou à luz do dia todos esses esquecidos. Eles ocupavam o mesmo lugar que os órfãos, as viúvas, os pobres e os estrangeiros na ação dos profetas. Eles eram os “cacos da humanidade”. Jesus lhes devolvia a dignidade.

Na parábola do Bom Samaritano (Lc 10,29-37), Jesus deixa claro que a compaixão tem de se traduzir em ação misericordiosa. Descobrimos que o outro é o nosso próximo, quando fazemos algo por ele. O doente é um estranho que se torna próximo, quando nos aproximamos dele com amor. Um coração que ama não é indiferente ao sofrimento do irmão e procura ser solidário.

A atuação de Jesus não é movida por nenhum interesse econômico Sua ação é por pura gratuidade. Tampouco é levado por um interesse proselitista de integrar um novo membro no grupo de seus seguidores.
 Jesus é movido por um profundo amor para com os doentes e por uma paixão libertadora para arrancá-los do poder do mal. A misericórdia o impulsiona (Mc 1,41). Seus gestos encarnam e tornam palpável o amor do Pai para com os pequeninos e desvalidos. Com sua atuação curativa e libertadora, Jesus é sinal de que Deus não os abandona.

A atuação de Jesus no mundo do sofrimento é profunda. Busca a cura total, que não se identifica somente com a saúde biológica, mas sim com a salvação integral. Jesus liberta os enfermos de tudo quanto os desumaniza. Liberta-os da solidão e do isolamento, da desconfiança e do desespero, da resignação passiva. Ele convida o paciente a ter uma atitude positiva, construtiva e criadora de vida e saúde.

É surpreendente que, em muitas curas, Jesus diga: “A tua fé te curou”. É o próprio enfermo que tem algo muito decisivo para a sua melhora. Jesus atribui a cura não ao seu poder, mas sim a fé da pessoa. Aos seus discípulos, junto com o mandato de pregar o Evangelho, foi dito também que curassem os enfermos.
Desde que foi instituído o Dia Mundial do Enfermo, o Papa envia uma mensagem especial, motivando sua celebração.
A mensagem desde ano tem com tema a frase do Evangelho de Mateus: “De graça recebestes, de graça, deveis dar” (Mt 10,8).
O Papa exorta para que as instituições sanitárias católicas, a exemplo de Jesus, vivam a “dimensão da gratuidade” e afastem a tentação do “estilo empresarial” que segue a “lógica do lucro a todo custo, do dar para receber e da exploração que não respeita a pessoa”.
A exortação é também para as pessoas individualmente consideradas, a fim de que vivam a espiritualidade do Bom Samaritano e ajudem o doente a passar de “objeto passivo de cuidados para se tornar sujeito ativo e protagonista” de sua própria cura.
Por fim o Papa coloca todos nós sob a proteção de Nossa Senhora, Saúde dos Enfermos, pedindo para que aprendamos a alegria do serviço desinteressado.


envie seu comentário »

Veja Também

Veja + Palavra do bispo